O JPMorgan Chase deu mais um passo na integração entre finanças tradicionais e tecnologia blockchain. Segundo o Wall Street Journal (WSJ), citando a PYMNTS, o maior banco dos Estados Unidos tokenizou um fundo de private equity na sua plataforma blockchain, criada para clientes de elevado património.
Tokenização a simplificar investimentos
De acordo com Anton Pil, responsável global pelas soluções de investimento alternativo do JPMorgan, “é apenas uma questão de tempo até que uma solução baseada em blockchain seja adotada” no setor. O objetivo é simplificar o ecossistema de investimentos alternativos e torná-lo mais acessível a investidores de diferentes perfis.
Com um fundo tokenizado, todas as partes envolvidas passam a ter uma visão em tempo real sobre a titularidade e pagamentos das participações. Este avanço reduz os imprevistos associados aos chamados capital calls, os pedidos de capital feitos pelos gestores de fundos aos investidores.
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Kinexys Fund Flow: a próxima etapa
Segundo o WSJ, o projeto antecede o lançamento, previsto para 2026, da plataforma Kinexys Fund Flow, desenvolvida internamente pelo banco. Esta ferramenta integrará dados de gestores, distribuidores e administradores de fundos, criando smart contracts que representam a propriedade de cada fundo.
Além disso, permitirá trocas quase instantâneas de dinheiro e ativos na blockchain, reforçando a eficiência operacional e a transparência.
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Tokenização em alta no setor financeiro
A tokenização — que representa digitalmente a titularidade de ativos num livro-razão blockchain — tem ganho força em bancos que antes eram cautelosos com criptomoedas. A aprovação do Genius Act, que define um enquadramento legal para as stablecoins, impulsionou este movimento.
Em julho, Goldman Sachs e Bank of New York Mellon anunciaram uma parceria para criar tokens digitais que conferem propriedade de fundos do mercado monetário, envolvendo também gigantes como BlackRock e Fidelity.
Conforme destacou a PYMNTS, esta tendência vai além da rapidez nas transações: trata-se de liquidez programável e tesourarias em tempo real.
Os bancos estão a encarar as blockchains como infraestruturas públicas das quais precisam de depender.
Jonathan Levin, CEO da Chainalysis

