A OpenAI e a Perplexity entraram na corrida dos browsers com IA, num movimento que desafia o domínio histórico da Google e sinaliza a maior mudança no mercado de navegadores em mais de duas décadas. A aposta assenta na integração profunda de inteligência artificial na experiência de navegação, segundo avança o Financial Times.
Browsers com IA marcam nova fase da web
Nos últimos meses, a OpenAI e a Perplexity lançaram os seus próprios browsers com IA. Em paralelo, a Microsoft integrou o Copilot AI no Edge, permitindo interações com chatbots durante a navegação.
Segundo o Financial Times, estas iniciativas representam a maior transformação no mercado global de browsers desde o início dos anos 2000. O objectivo é claro: redefinir a forma como os utilizadores pesquisam, leem e executam tarefas online.
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Google mantém vantagem, mas reforça aposta em IA
Apesar da nova concorrência, a Google mantém mais de 63% da quota global de browsers, de acordo com a Cloudflare. Ainda assim, a empresa avançou rapidamente ao integrar os modelos Gemini no Chrome.
Em Maio, a Google anunciou também um “modo IA” para a pesquisa e para o navegador, com uma experiência conversacional semelhante ao ChatGPT. O lançamento do modelo Gemini 3 reforçou essa estratégia, segundo o FT.
Dados, agentes de IA e novos modelos de receita
Para as start-ups de IA, os browsers oferecem uma vantagem estratégica. Ao controlarem o ponto de acesso à internet, conseguem uma relação directa com os utilizadores. Jesse Dwyer, da Perplexity, descreveu os browsers como o “sistema operativo da mente”.
Além disso, os browsers são vistos como a base para agentes de IA capazes de agir em nome do utilizador, como marcar compromissos ou efectuar compras. Segundo a Microsoft AI, esta abordagem poderá transformar a navegação manual numa experiência mais proactiva.
Privacidade e riscos de cibersegurança ganham destaque
A nova geração de browsers com IA também levanta preocupações. Utilizadores apontam falhas técnicas e riscos de privacidade. A OpenAI e a Microsoft afirmam que as funcionalidades de IA são opt-in. A Perplexity confirma que utiliza dados para melhorar modelos internos.
Por outro lado, a Gartner alertou para riscos como ataques de prompt injection. Já a Forrester sublinha que a IA, por si só, não garante diferenciação sustentável.

