A inflação impulsionada pela IA surge como um dos principais riscos para os mercados financeiros em 2026. Segundo a Reuters, investidores alertam que a euforia em torno da inteligência artificial pode esconder pressões inflacionistas capazes de inverter o actual ciclo de cortes de juros.
Mercados em máximos enfrentam novo risco
Os mercados accionistas globais entraram em 2026 em níveis recorde. Em 2025, os índices norte-americanos registaram ganhos expressivos, apoiados por grandes tecnológicas e pela expectativa de políticas monetárias mais acomodatícias. Além disso, as bolsas europeias e asiáticas também beneficiaram do entusiasmo em torno da IA, segundo a Reuters.
Contudo, apesar do recuo recente da inflação, os preços continuam acima da meta média de 2% da Reserva Federal. Por isso, cresce o receio de que o actual optimismo esteja a subestimar riscos relevantes.
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Investimento em IA pode reacender a inflação
Para 2026, são esperadas novas vagas de estímulos governamentais nos Estados Unidos, Europa e Japão. Em paralelo, o investimento massivo em inteligência artificial deverá impulsionar o crescimento económico global. No entanto, gestores de activos temem que este cenário leve a uma nova aceleração da inflação.
De acordo com analistas citados pela Reuters, o endurecimento da política monetária poderá reduzir o apetite por activos tecnológicos mais especulativos. Além disso, o aumento dos custos de financiamento poderá pressionar lucros e valorizações das empresas ligadas à IA.
Custos de energia e chips agravam pressões
A corrida de grandes empresas tecnológicas para construir novos centros de dados está a intensificar a procura por energia e chips avançados. Este movimento é visto como um factor adicional de inflação. Analistas sublinham que os custos de electricidade e semicondutores continuam a subir, em vez de recuar.
Como resultado, espera-se que a inflação nos EUA permaneça acima da meta do banco central até, pelo menos, 2027. Mesmo melhorias no mercado de trabalho e cortes de juros já realizados poderão não ser suficientes para aliviar essas pressões.
Sinais de nervosismo nos mercados
Alguns sinais de tensão já começaram a surgir. Empresas tecnológicas alertaram para aumentos de despesas e possível compressão de margens. Por isso, investidores institucionais estão a reduzir exposição a dívida e a reforçar posições em activos protegidos contra a inflação.
Segundo a Reuters, se a inflação se intensificar, os bancos centrais poderão encerrar os ciclos de cortes ou até voltar a subir taxas. Esse cenário poderá provocar ajustamentos relevantes nos mercados em 2026.

