A MiniMax, rival da DeepSeek, lidera nova vaga de IPOs de IA na China, depois de as suas ações terem mais do que duplicado no primeiro dia de negociação em Hong Kong. A empresa, especializada em grandes modelos de linguagem, captou 619 milhões de dólares na sua oferta pública inicial, num momento em que várias tecnológicas chinesas recorrem aos mercados de capitais para financiar o desenvolvimento de inteligência artificial.
As ações da MiniMax fecharam a sessão a 345 dólares de Hong Kong, após terem sido fixadas em 165 dólares por ação. Com isso, a capitalização bolsista ultrapassou os 13,5 mil milhões de dólares. O forte desempenho reflete o entusiasmo dos investidores em torno dos avanços chineses em IA, segundo o Financial Times.
MiniMax reforça financiamento para crescer fora da China
Fundada por Yan Junjie, antigo executivo da SenseTime, a MiniMax é um dos principais desenvolvedores chineses de modelos de linguagem de grande escala. A empresa tornou-se conhecida pelos seus modelos multimodais, usados na geração de imagem e vídeo. Entre os seus investidores contam-se Alibaba, Tencent, HongShan Capital Group, Hillhouse Capital e Future Capital.
Além disso, a empresa tem apostado fortemente em produtos de IA para consumidores. Destacam-se a aplicação de chatbot Talkie e a plataforma de geração de vídeo Hailuo AI. Nos primeiros nove meses de 2025, a MiniMax gerou 100 milhões de dólares em receitas, mais de 70 milhões provenientes destas aplicações.
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IPOs antecipam-se aos rivais norte-americanos
As empresas chinesas de IA têm recorrido à bolsa mais cedo do que as congéneres dos EUA. Enquanto as norte-americanas captam grandes volumes em rondas privadas, as chinesas enfrentam maior pressão de financiamento. “Sem o apoio financeiro massivo dos hyperscalers dos EUA, a entrada em bolsa torna-se uma solução prática”, explicou Tilly Zhang, da Gavekal Dragonomics, ao FT.
Nesse contexto, a Zhipu tornou-se a primeira start-up global de LLM a listar-se em bolsa, angariando 558 milhões de dólares em Hong Kong. As suas ações já subiram 37%.
Expansão internacional e custos elevados
Tanto a MiniMax como a Zhipu planeiam usar os fundos captados para reforçar operações no estrangeiro, sobretudo nos Estados Unidos. No entanto, ambas continuam a consumir caixa, devido aos elevados investimentos em investigação, infraestruturas de IA e expansão internacional.
As IPOs seguem uma vaga recente de fabricantes chineses de chips de IA, como Biren, Iluvatar Corex e Moore Threads, beneficiando da aposta de Pequim em reduzir a dependência da Nvidia.

