Os ataques físicos a investidores cripto quase duplicaram em 2025, revelando uma nova e preocupante dimensão do chamado “crime cripto”. Tradicionalmente associado a fraudes digitais e roubos informáticos, o fenómeno passa agora a incluir invasões violentas a residências e ameaças diretas à integridade física das vítimas.
De acordo com uma investigação da Bloomberg News, citada pelo PYMNTS, foram registados 215 casos documentados de ataques físicos relacionados com criptomoedas em todo o mundo. No entanto, especialistas admitem que o número real poderá ser superior, uma vez que muitas vítimas optam por não denunciar os crimes.
Invasões domiciliárias e novos perfis de vítimas
Embora a atenção mediática se concentre, muitas vezes, em executivos do setor cripto ou influenciadores digitais, a investigação indica uma mudança clara no perfil das vítimas. Além de alvos de elevado património, surgem agora crianças e trabalhadores comuns, como professores e bombeiros.
O consultor de segurança Jameson Lopp explicou à Bloomberg que o receio de ataques repetidos leva muitas vítimas ao silêncio. Assim, o sub-registo destes crimes dificulta a perceção real da sua dimensão.
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Caso na Florida expõe escalada da violência
Um dos casos analisados envolve Julia Goodwin, residente na Florida. Em 2021, sofreu um ataque informático direcionado que resultou na perda de 90% das suas poupanças em criptomoedas. Posteriormente, ela e o marido foram vítimas de uma invasão domiciliária armada.
Os assaltantes procuravam obter acesso ao restante património cripto. O roubo só foi interrompido quando o marido conseguiu acionar o botão de pânico do sistema de segurança da habitação.
Roubos em cripto atingem 3,4 mil milhões de dólares
A escalada da violência ocorre num contexto de forte aumento dos roubos de criptomoedas. Segundo dados da Chainalysis, os furtos totalizaram 3,4 mil milhões de dólares no último ano.
Quase metade desse valor resultou de um único incidente: o comprometimento histórico da exchange Bybit, ocorrido em fevereiro.
Reguladores intensificam ações de fiscalização
Em paralelo, as autoridades norte-americanas reforçaram a atuação regulatória. A U.S. Securities and Exchange Commission instaurou mais de 30 ações ligadas a criptomoedas em 2025, gerando 2,6 mil milhões de dólares em penalizações. Já a Commodity Futures Trading Commission obteve mais de 17 mil milhões de dólares em compensações, com ativos digitais a representarem quase metade dos processos.
Segundo o PYMNTS, esta tendência reflete um foco crescente em fraude clara e criminalidade, afastando-se dos debates sobre a classificação jurídica dos ativos digitais.

