As novas propostas do Banco de Inglaterra (BoE) marcam um recuo significativo nas restrições impostas às stablecoins. Esta mudança sinaliza que o Reino Unido abranda restrições e reabre porta às stablecoins, procurando apoiar a inovação num mercado em rápida expansão, segundo o Financial Times (FT).
Reino Unido stablecoins: BoE revê abordagem
O BoE ajustou o plano inicial após críticas de empresas do setor. O banco permitirá que emissores de stablecoins classificados como sistémicos invistam até 60% dos ativos em dívida pública britânica de curto prazo.
Além disso, emissores em fase de transição poderão colocar até 95% dos ativos nesses títulos, medida criada para garantir viabilidade durante o crescimento das operações.
De acordo com o FT, esta alteração substitui a proposta anterior que exigia reservas totalmente depositadas no banco central, sem remuneração, o que muitos consideravam comercialmente inviável.
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Novas isenções e limites de propriedade
O BoE manteve o limite de 20 mil libras para detenção individual de stablecoins. Contudo, admitiu isenções para tipos específicos de empresas. Entre elas estão plataformas de negociação de criptoativos e grandes retalhistas, como supermercados. Estas exceções aplicam-se ao limite empresarial de 10 milhões de libras.
O banco central afirma que estes limites serão temporários enquanto o sistema financeiro se ajusta à nova tecnologia.
Indústria pede regras ainda mais flexíveis
Apesar das mudanças, parte do setor considera as medidas insuficientes. Varun Paul, antigo responsável do BoE e hoje na Fireblocks, disse ao FT que o regime continua a colocar o Reino Unido atrás dos Estados Unidos.
Já Tom Duff Gordon, vice-presidente de política internacional da Coinbase, defendeu que o BoE deveria permitir que até 80% das reservas fossem investidas em dívida pública de curto prazo.
Nigel Farage, líder do Reform UK, também criticou os limites impostos aos indivíduos, afirmando que o banco mantém a “City na Idade das Trevas”.
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BoE acredita na inovação das stablecoins
Sarah Breeden, vice-governadora para a estabilidade financeira, afirmou que o objetivo continua a ser apoiar a inovação e reforçar a confiança neste tipo de moeda digital.
O governador Andrew Bailey, citado pelo FT, sublinhou que seria errado rejeitar as stablecoins por princípio, destacando o seu potencial para acelerar pagamentos domésticos e transfronteiriços.
A nova proposta aplica-se apenas a stablecoins que o Tesouro britânico considere sistémicas. Os restantes tokens serão regulados pela Financial Conduct Authority (FCA).

