As empresas chinesas tokenizam árvores raras, chá e licor baijiu como parte de uma nova estratégia de financiamento baseada em activos do mundo real. A tendência envolve a conversão de bens físicos em tokens digitais negociáveis, recorrendo à tecnologia blockchain, segundo a Reuters.
Na ilha tropical chinesa de Hainan, árvores de huanghuali, uma madeira rara e historicamente valorizada, estão a ser fotografadas e avaliadas para posterior tokenização. Cada árvore recebe um valor próprio, definido pela dimensão e qualidade, que é depois dividido em vários tokens digitais. De acordo com Zhao Xiaobao, representante da Geely Technology Group em Hainan, esta abordagem permite transformar recursos florestais de longo prazo em activos financeiros líquidos.
Segundo a Reuters, a Geely Technology pretende angariar cerca de 100 milhões de dólares de Hong Kong numa primeira emissão de tokens, com lançamento previsto para os próximos meses em Hong Kong. O objectivo passa por aliviar problemas de tesouraria num sector onde os ciclos de produção são longos.
A tokenização de activos chineses não se limita à madeira. Chá premium e licor baijiu estão também a ser convertidos em activos digitais. Advogados e consultores financeiros referem que artefactos, coleccionáveis, dados, mercadorias e imobiliário já despertam interesse para processos semelhantes.
Em Xangai, a startup Shanghai Teaken Technologies emitiu activos digitais associados a bolos de chá pu’er envelhecido. Tal como o vinho, este chá valoriza com o tempo. Segundo o fundador da empresa, a blockchain ajuda a combater a falsificação, um problema recorrente no sector.
O mercado global de activos do mundo real tokenizados cresceu 115% no último ano, atingindo 35,7 mil milhões de dólares, de acordo com dados citados pela Reuters. No entanto, persistem dúvidas sobre a capacidade de absorção do mercado, dado que os investidores da China continental enfrentam restrições.
Embora Hong Kong tenha adoptado uma postura favorável aos activos digitais, as autoridades de Pequim continuam cautelosas. Ainda assim, reguladores de Hong Kong afirmam que produtos tokenizados que configuram valores mobiliários estão abrangidos pelas regras existentes.

