O êxodo tecnológico da Europa voltou ao centro do debate sobre mercados de capitais. Segundo a Bloomberg, um estudo da EQT AB com a McKinsey & Co. concluiu que empresas europeias com valor combinado de 1,2 biliões de euros acabaram em bolsas estrangeiras ou nas mãos de compradores na última década.
Entre 2014 e 2025, o estudo registou cerca de 700 mil milhões de euros em aquisições por empresas não europeias e em ofertas públicas iniciais. Em janeiro, porém, o valor dessas empresas tinha subido para cerca de 1,2 biliões de euros, o equivalente a 1,4 biliões de dólares.
Êxodo tecnológico da Europa ganhou escala
A investigação mostra a dimensão de um fenómeno que preocupa decisores políticos e especialistas em mercados de capitais. Além disso, aponta para custos económicos para a Europa.
De acordo com Victor Englesson, sócio da EQT e responsável por tecnologia em fase inicial, a saída de empresas para outros mercados reduz oportunidades de emprego e desloca o foco de crescimento para fora da região. Por outro lado, a Europa também arrisca perder conhecimento local e futuros fundadores tecnológicos.
Englesson afirmou que, quando uma empresa europeia se cota nos Estados Unidos, o “centro de gravidade” muda de forma permanente. Assim, a decisão de cotação passa a influenciar o local onde a empresa cresce.
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Êxodo tecnológico da Europa pressiona a UE
O estudo refere que empresas como a Arm Holdings e a Spotify recorreram ao mercado norte-americano em busca de maior profundidade de capital. Entretanto, Bjørn Sibbern, CEO do SIX Group, disse que os EUA trataram os mercados de capitais como via central de financiamento e que a Europa precisa de recuperar terreno.
Para responder a essa pressão, a União Europeia está a preparar o Scale Europe Fund, com 5 mil milhões de euros, para apoiar projetos locais de computação quântica, inteligência artificial e deep tech.
Há sinais de travagem
Ainda assim, a atração dos EUA poderá estar a perder força. Segundo a Bloomberg, a SumUp estuda uma oferta pública inicial numa bolsa europeia, enquanto a Bitpanda escolheu Frankfurt para uma potencial estreia em bolsa.

