A IA acelera ataques cibernéticos globais, alerta a Amazon, após a identificação de uma campanha que comprometeu mais de 600 firewalls em apenas cinco semanas. Segundo investigação de segurança da própria empresa, citada pela Bloomberg, um número reduzido de hackers explorou ferramentas de inteligência artificial amplamente disponíveis para executar os ataques.
De acordo com a Amazon, os intrusos utilizaram serviços comerciais de IA generativa para identificar e explorar falhas simples. Entre elas estavam credenciais básicas de acesso e autenticação de fator único. Assim, conseguiram operar numa escala que normalmente exigiria uma equipa maior e mais especializada.
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IA ataques cibernéticos: 600 firewalls comprometidos
O relatório indica que os dispositivos afetados estavam distribuídos por 55 países. As regiões incluíram Sul da Ásia, América Latina, Caraíbas, África Ocidental, Norte da Europa e Sudeste Asiático.
Além disso, os hackers, descritos como falantes de russo, aproveitaram o acesso inicial para avançar nas redes de algumas vítimas. O objetivo parecia preparar ataques de ransomware. Ainda assim, quando encontravam sistemas mais protegidos, abandonavam o alvo e procuravam alternativas.
CJ Moses, responsável pela engenharia e operações de segurança da Amazon, comparou o fenómeno a “uma linha de montagem alimentada por IA para o cibercrime”. Segundo o responsável, a tecnologia permite que atores menos qualificados atuem em larga escala.
IA acelera ataques cibernéticos e preocupa especialistas
Os investigadores acreditam que os atacantes agiram de forma oportunista. Em vez de visarem setores específicos, procuraram firewalls com proteções fracas.
O relatório também revela que, após entrarem nas redes, os hackers falharam na maioria das tentativas de exploração mais complexas. Conseguiram, sobretudo, executar percursos automatizados e simples.
A Amazon considera que este padrão tende a crescer. “As organizações devem antecipar que a atividade de ameaças aumentada por IA continuará a crescer em volume”, afirmou Moses.
O caso surge após a Anthropic ter revelado, no ano passado, que um hacker utilizou a sua tecnologia num esquema que afetou pelo menos 17 organizações. Na altura, a empresa classificou o episódio como sem precedentes.

