IA e despedimentos estão no centro de uma nova fase de transformação nas grandes tecnológicas. A Amazon integra ganhos de inteligência artificial no planeamento de equipas e admite que a adopção da tecnologia poderá reduzir a força de trabalho corporativa nos próximos anos.
Segundo o Financial Times, a empresa já cortou mais de 30.000 postos de trabalho desde Outubro. No entanto, a liderança rejeita a ideia de um “novo ritmo” permanente de despedimentos.
IA e despedimentos no planeamento interno
A Amazon instruiu gestores a incorporarem eficiências previstas com IA no planeamento anual de efectivos. Além disso, monitoriza a adopção interna destas ferramentas através de um painel chamado “Clarity”.
A empresa desenvolveu soluções próprias, como a plataforma Kiro e o chatbot Q. Espera que mais de 80% dos programadores utilizem IA pelo menos uma vez por semana.
Ainda assim, vários trabalhadores relataram queda de moral. Alguns referem “culpa do sobrevivente”. Outros dizem que as equipas enfrentam metas idênticas com menos recursos.
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Pressão crescente nas equipas técnicas
Vários engenheiros afirmam que as unidades lidam agora com mais incidentes críticos diários. Referem também cortes de funcionalidades e aumento de dívida técnica.
Além disso, trabalhadores indicam que o uso de IA passou a integrar critérios de promoção. Equipas de redacção técnica foram eliminadas. Engenheiros assumiram essas funções.
Um episódio em Dezembro intensificou críticas internas. Uma falha de 13 horas ocorreu após alterações feitas com apoio da ferramenta Kiro. A Amazon classificou a ligação à IA como coincidência.
Novo equilíbrio no mercado laboral
Num memorando anterior, o CEO Andy Jassy afirmou que a expansão da IA generativa deverá alterar a forma de trabalhar. Admitiu também que, a médio prazo, poderá reduzir o número total de trabalhadores corporativos.
Para analistas citados pelo Financial Times, despedimentos libertam capital para investimento em tecnologias com elevado potencial de retorno. Contudo, académicos alertam para novas pressões competitivas e possível redução de postos de trabalho qualificados.
Entretanto, a Amazon exige regresso ao escritório cinco dias por semana e monitoriza a assiduidade. A empresa mantém o compromisso com uma estrutura “mais enxuta”.

