A Klarna afunda 27% após aumento do crédito malparado e divulgação de um prejuízo anual de 273 milhões de dólares. As ações da fintech sueca caíram para 13,85 dólares numa única sessão. Desde a IPO em setembro, o título já perdeu quase 68% do valor.
De acordo com o Financial Times, a capitalização bolsista recuou para 5,3 mil milhões de dólares. A fintech tinha assegurado uma avaliação de 15 mil milhões de dólares na cotação em Nova Iorque.
Klarna afunda 27% com subida das provisões
A fintech sueca constituiu 250 milhões de dólares em provisões para perdas de crédito no quarto trimestre. O valor representa um aumento de quase 60% face ao mesmo período de 2024.
Segundo a Klarna, o crescimento do produto de “financiamento justo” explica parte da subida. Este modelo inclui empréstimos de longo prazo com juros. Contudo, exige o reconhecimento antecipado de provisões, mesmo quando as receitas são distribuídas ao longo do contrato.
No trimestre, o grupo registou um prejuízo líquido de 26 milhões de dólares. Um ano antes tinha reportado lucro de 40 milhões. Além disso, o resultado anual inverteu o lucro de 21 milhões obtido em 2024.
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Receitas sobem, mas não travam queda
Apesar do prejuízo, as receitas cresceram 38% no último trimestre de 2025. O total aproximou-se de 1,1 mil milhões de dólares.
O CEO e cofundador, Sebastian Siemiatkowski, afirmou que o aumento das provisões resulta da estratégia de crescimento. Defendeu que o foco está na rentabilidade futura.
Já o CFO, Niclas Neglén, garantiu que não observa deterioração do perfil de crédito dos consumidores. Segundo afirmou, as provisões até recuaram no quarto trimestre face ao terceiro.
Estratégia de neobanco e aposta em IA
A Klarna procura reduzir a dependência do modelo “buy now, pay later”. Assim, aposta na transformação em neobanco. Atualmente conta com 4,2 milhões de utilizadores ativos do cartão de débito e 118 milhões de utilizadores no total.
A empresa gera cerca de 107 dólares anuais por cliente bancário. Por comparação, o consumidor médio gera 30 dólares.
Além disso, a Klarna investe fortemente em inteligência artificial. Um chatbot trata dois terços dos pedidos de apoio ao cliente. O CEO afirma que a tecnologia permitiu reduzir para metade a força de trabalho ao não substituir saídas.
A empresa publicará os resultados anuais completos a 26 de fevereiro.

