Waymo e Baidu aceleram planos para a capital britânica
Londres tornou-se o novo palco da disputa EUA-China pelos robotáxis, à medida que duas das maiores empresas mundiais de veículos autónomos avançam para a capital britânica. A Waymo, subsidiária da Alphabet, e a chinesa Baidu planeiam lançar serviços de transporte autónomo em Londres a partir de 2026, segundo o Financial Times.
A entrada das duas empresas surge após o governo do Reino Unido anunciar que permitirá ensaios comerciais de carros sem condutor já a partir da primavera. Com isso, a capital britânica ganha destaque no mapa global da inteligência artificial aplicada à mobilidade.
Testes em estrada e parcerias estratégicas
A Waymo iniciou em dezembro testes em estrada com veículos Jaguar autónomos, adaptados ao contexto urbano de Londres. Os testes decorrem em vias públicas e fazem parte da preparação para uma futura operação comercial.
Já a Baidu prepara o lançamento dos seus veículos RT6 nos próximos meses. A empresa chinesa firmou parcerias com as plataformas de transporte Lyft e Uber para viabilizar a operação fora dos Estados Unidos. Segundo o FT, estas colaborações facilitam a expansão internacional do grupo.
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Londres como primeira cidade de concorrência direta
Com estes movimentos, Londres poderá tornar-se a primeira cidade do mundo onde robotáxis dos EUA e da China operam em simultâneo. A situação reflete os planos de expansão agressiva das empresas e a crescente competição tecnológica entre Washington e Pequim.
Jack Stilgoe, professor de políticas tecnológicas no University College London, afirmou ao Financial Times que o Reino Unido pretende definir regras claras para esta tecnologia. O objetivo é evitar modelos extremos e criar um enquadramento regulatório equilibrado.
Liderança de mercado e números de utilização
A Waymo lidera atualmente o mercado global de veículos autónomos. A empresa aproxima-se de um milhão de viagens totalmente autónomas por semana nos Estados Unidos. Até ao momento, os seus clientes já realizaram cerca de 20 milhões de viagens em cidades como São Francisco, Los Angeles e Phoenix.
A Baidu segue de perto. O serviço Apollo Go registou 17 milhões de viagens acumuladas até novembro, reforçando a posição da empresa chinesa como um dos principais operadores globais de robotáxis.
Restrições nos EUA e aposta europeia
A escolha de Londres tem também motivações geopolíticas. Empresas chinesas de veículos autónomos enfrentam fortes restrições nos Estados Unidos, introduzidas no final da administração Biden. Como resultado, a Europa e o Médio Oriente tornaram-se destinos prioritários para testes e expansão.
Apesar disso, subsistem desafios. As ruas congestionadas de Londres e elementos como passadeiras para peões levantam dificuldades técnicas. Além disso, investidores alertam para riscos de segurança nacional associados a veículos autónomos, segundo o Financial Times.
Licenças, dados e segurança no centro do processo
Em Londres, qualquer empresa que pretenda testar tecnologia de condução autónoma deve articular-se com a câmara municipal, os boroughs e a Transport for London. Para operar serviços comerciais de passageiros, é necessária uma licença adicional.
Todos os ensaios devem cumprir rigorosamente as regras britânicas de proteção de dados e privacidade. A Transport for London afirmou que a segurança continua a ser a prioridade máxima na avaliação destas tecnologias.

