A Tether congela USDT ligados ao crime, num total que já atinge 4,2 mil milhões de dólares, segundo informações divulgadas pela empresa. O valor inclui ativos congelados devido a ligações com diferentes formas de atividade ilícita, sobretudo nos últimos três anos.
De acordo com a Reuters, a emissora da stablecoin USDT afirmou que a maioria desses congelamentos ocorreu desde 2023. A empresa colabora regularmente com autoridades de investigação para travar crimes que envolvem criptomoedas.
A Tether é atualmente a maior emissora de stablecoins do mundo. O seu token USDT, indexado ao dólar, tem mais de 180 mil milhões de dólares em circulação. Há cerca de três anos, esse valor rondava apenas 70 mil milhões de dólares.
Tether congela USDT ligados ao crime com apoio das autoridades
A empresa explicou que consegue congelar remotamente tokens USDT guardados em carteiras digitais quando recebe pedidos de autoridades policiais.
Esta capacidade permite bloquear rapidamente fundos suspeitos. Além disso, ajuda investigações relacionadas com fraudes, branqueamento de capitais ou outras atividades ilegais.
Segundo a Reuters, a Tether ajudou recentemente o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a congelar quase 61 milhões de dólares em USDT. Os fundos estavam associados a esquemas conhecidos como “pig-butchering”.
Nesse tipo de fraude, os burlões criam relações pessoais com as vítimas. Depois, convencem-nas a investir dinheiro em falsas oportunidades de criptomoedas.
Maioria dos fundos foi congelada desde 2023
De acordo com um porta-voz da empresa, 3,5 mil milhões de dólares do total congelado foram bloqueados desde 2023.
Além disso, a Tether afirma ter impedido o uso de carteiras associadas a tráfico de seres humanos e também a atividades ligadas a terrorismo e conflitos armados em Israel e na Ucrânia.
No ano passado, a exchange russa Garantex, alvo de sanções internacionais, afirmou que a Tether tinha bloqueado fundos presentes na sua plataforma.
Criptomoedas continuam sob escrutínio regulatório
Autoridades em todo o mundo mantêm preocupações sobre o papel das criptomoedas no financiamento ilícito.
O Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI/FATF) apelou recentemente aos países para reforçarem medidas contra crimes financeiros nos mercados cripto.
Investigadores de blockchain estimam que branqueadores de capitais receberam pelo menos 82 mil milhões de dólares em criptomoedas no último ano. Em 2020, esse valor era de cerca de 10 mil milhões de dólares.
Entretanto, as stablecoins continuam a ganhar importância no mercado. A maioria das operações envolve trading de criptomoedas, e os volumes têm aumentado rapidamente nos últimos anos.

