Os grandes modelos de linguagem abriram os olhos à maioria das organizações. Muitas estão agora a ponderar como se tornarem nativamente orientadas para a IA; começar tudo com IA desde a raíz.
Isto vai acelerar a migração para a Infraestrutura de Confiança. Com a adoção de carteiras de identidade digital, capazes de receber e emitir dados verificáveis, estas serão também necessárias para empregar, capacitar e autorizar a entrada de agentes de IA portadores de carteira digital.
À medida que as Enterprise Business Wallets (EBWs) se tornarem obrigatórias para todas as entidades do setor público na União Europeia, os fluxos de credenciais entre autoridades públicas e empresas tornarão inevitável a adoção de EBWs em todo o setor privado.
Qualquer organização que interaja com o setor público terá de possuir a capacidade de emitir, receber, verificar e agir com base em credenciais legíveis por máquina — em escala e por defeito.
Estas mesmas EBWs funcionam também como os painéis de controlo necessários para que agentes de IA operem de forma segura e legítima, ligando identidade, autoridade e ação num único mecanismo. Esta convergência garante que as EBWs não são apenas um instrumento de conformidade, mas sim uma infraestrutura fundamental para organizações potenciadas por IA.
Há momentos na evolução de uma empresa em que a governação tem de passar da teoria à prática — momentos em que a transformação não surge organicamente das operações, mas tem de ser deliberadamente concebida e impulsionada a partir do topo.
As Enterprise Business Wallets representam exatamente esse momento.
As EBWs não são “apenas” uma nova capacidade digital. Situam-se na interseção entre identidade, dados, autoridade, confiança, automação e tomada de decisão. Uma vez introduzidas, redefinem de forma silenciosa — mas fundamental — a forma como uma empresa atua, contrata, comprova, decide e escala.
Quando as EBWs se encontram com a inteligência artificial — permitindo a contratação e capacitação de agentes de IA — o resultado não é uma melhoria incremental, mas uma mudança estrutural na forma como as organizações funcionam.
É por isso que a transformação com IA não pode ser tratada como um simples tema de implementação a jusante. A própria lógica do negócio está a mudar — rumo a processos executáveis por máquina, ancorados em identidade e potenciados por IA — e as EBWs tornam essa mudança tangível, governável e inevitável.
No entanto, em muitas salas de conselho, a IA ainda surge na agenda como um convidado educado: algo a discutir, monitorizar ou acompanhar.
O que muitas vezes falta é o reconhecimento claro de que as EBWs constituem a camada de controlo de que os agentes de IA necessitam.
Porque as EBWs e a agenticidade da IA impõem a mesma constatação desconfortável:
O modelo tradicional de governação já não corresponde à realidade operacional que está a emergir.
As EBWs não estão à espera de que as organizações estejam preparadas.
A IA espera ainda menos.
A transição é rápida, estrutural e já está em curso — quer as empresas a liderem ativamente, quer apenas reajam a ela.
Já sabemos que não se trata apenas de uma vaga tecnológica. Trata-se de uma reescrita da forma como a confiança é estabelecida — e, por conseguinte:
- como o valor é criado
- como as decisões são tomadas
- como o trabalho é coordenado
- como a responsabilidade é distribuída entre humanos e máquinas
As EBWs não se limitam a digitalizar credenciais.
A agenticidade da IA não se limita a otimizar processos.
Em conjunto, transformam:
- modelos de negócio
- lógica operacional
- estruturas de responsabilidade
- e o próprio significado de liderança
O apelo é, portanto, claro:
Os Conselhos de Administração têm de liderar. Não depois. Não mais tarde. Agora.
Disclaimer: Este artigo é uma tradução autorizada do original intitulado “Why the Board of Directors must lead a secure AI transformation — not merely oversee it” escrito por Bo Harald e publicado originalmente no site Finextra. A tradução foi realizada pela equipa do FintechAO que assume total responsabilidade por eventuais imprecisões na adaptação para o português.

Bo Harald
Presidente / Membro fundador, membro do conselho de administração
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