A cibersegurança na Nigéria vai entrar numa nova fase regulatória. O país prepara um quadro nacional para travar o aumento de ataques com inteligência artificial. As perdas já atingem bancos, empresas e agências públicas.
Segundo a Bloomberg, o novo quadro será implementado ainda este ano. As organizações que operam no país terão de cumprir níveis mínimos de despesa em cibersegurança. Além disso, terão prazos obrigatórios para reportar incidentes.
Cibersegurança na Nigéria com novos requisitos mínimos
Kashifu Inuwa Abdullahi, director-geral da Agência Nacional de Desenvolvimento das Tecnologias de Informação, explicou que muitas empresas investem pouco. Em muitos casos, assumem que não são alvos prováveis. No entanto, o cenário mudou rapidamente.
O novo modelo vai impor reporte obrigatório de violações. Também criará mecanismos de partilha de inteligência de ameaça. Por outro lado, incluirá protocolos coordenados de resposta a grandes incidentes.
Veja também: Agência britânica de cibersegurança alerta CEOs para riscos de ciberataques
Ataques com IA pressionam bancos e sistemas de pagamento
Os ataques com IA estão a crescer em escala e sofisticação. Afetam bancos, sistemas de pagamento e redes governamentais. Reguladores em várias regiões já apertam regras de reporte e controlo de risco.
A Nigéria alberga algumas das fintechs que mais crescem em África, como Flutterwave e OPay. Ainda assim, o risco também aumenta. Entre 2017 e 2023, o país perdeu 1,1 biliões de nairas em cibercrime. Os dados constam de uma avaliação de 2025 do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
IA acelera phishing e ransomware
De acordo com a Bloomberg, ataques com IA ao setor financeiro subiram 150% no último ano. A Prembly, empresa de cibersegurança, avançou com essa estimativa. Já a Deloitte prevê mais ransomware e phishing este ano.
As campanhas de phishing tornaram-se mais credíveis com IA. Os atacantes criam mensagens personalizadas e encontram falhas com mais rapidez. Além disso, conseguem contornar ferramentas de defesa.
Pagamentos instantâneos aumentam pressão defensiva
A infraestrutura de pagamentos instantâneos também pesa no risco. Transferências quase em tempo real deixam pouco espaço para travar fraude. Os sistemas têm apenas segundos para analisar dados e bloquear operações suspeitas.
Especialistas alertam para falta de profissionais qualificados. Também referem que a regulação continua mais lenta do que a inovação tecnológica.

