Pagamentos globais voltam ao centro da agenda internacional. Andrew Bailey convocou uma cimeira para tentar acelerar reformas consideradas críticas pelo Financial Stability Board (FSB).
O Governador do Banco de Inglaterra, que preside ao FSB, marcou o encontro para 12 de março, em Londres. Segundo a Bloomberg, a reunião juntará bancos centrais de referência e representantes do setor privado.
O objetivo é relançar o trabalho sobre pagamentos transfronteiriços. Além disso, o evento deverá combinar sessões públicas e privadas.
FSB admite atrasos nas metas para 2027
O FSB reconheceu que é “improvável” alcançar melhorias satisfatórias até 2027. Em outubro, responsáveis admitiram que, apesar de muitas ações do roteiro terem sido concluídas, os efeitos práticos continuam limitados.
Ainda segundo a Bloomberg, o custo médio dos pagamentos transfronteiriços “permanece elevado”. Por isso, o FSB apelou a medidas tangíveis por parte das jurisdições e maior envolvimento do setor privado.
O Grupo dos 20 atribuiu ao FSB esta missão em 2021. Na altura, crescia a preocupação com os planos da Facebook para lançar uma moeda digital, projeto que acabou abandonado.
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Stablecoins aumentam pressão sobre bancos centrais
Entretanto, o contexto mudou. O crescimento das criptomoedas, em especial das stablecoins, voltou a pressionar o papel do dinheiro tradicional emitido pelos bancos centrais.
As stablecoins podem oferecer alternativas mais rápidas e baratas para pagamentos internacionais. Assim, o debate sobre a modernização dos sistemas de pagamentos globais ganhou nova urgência.
Fabio Panetta, Governador do Banco de Itália e presidente do grupo de coordenação do FSB para pagamentos transfronteiriços, também intervirá na cimeira.
Tokenização entra no debate britânico
No Reino Unido, Bailey defende a tokenização dos depósitos bancários como solução para tornar os pagamentos mais rápidos e baratos. A proposta inclui operações internacionais.
Contudo, o Banco de Inglaterra suavizou recentemente a sua posição sobre stablecoins. A instituição lançou uma consulta pública com propostas para a sua regulamentação.
Além disso, outras jurisdições continuam a avançar. O banco central da Austrália anunciou novas iniciativas para reforçar pagamentos grossistas transfronteiriços, considerados críticos para o comércio internacional.

