A IA nos seguros está a revelar falhas em apólices tradicionais que não contemplam sistemas cada vez mais autónomos. Segundo o Financial Times, mais de 90% da exposição das seguradoras a agentes de inteligência artificial permanece em coberturas “silenciosas”, muitas vezes sem preço definido.
IA nos seguros cria riscos difíceis de medir
A Artificial Intelligence Underwriting Company elaborou o relatório com investigadores da Anthropic e da OpenAI. O documento identifica uma mudança relevante. Os riscos deixaram de se limitar a chatbots que produzem informação errada e passaram a incluir agentes capazes de executar acções.
Como resultado, as empresas podem enfrentar processos por negligência profissional, ataques informáticos ou morte por acto ilícito. Além disso, as seguradoras podem descobrir que assumiram riscos que nunca avaliaram de forma clara.
Processos mostram falhas nas coberturas actuais
Vários casos recentes já expuseram estas fragilidades. A Google enfrenta um processo de pelo menos 110 milhões de dólares, depois de o AI Overviews ter alegadamente difamado a empresa solar norte-americana Wolf River Electric.
Entretanto, a Air Canada teve de cumprir um desconto inventado pelo seu chatbot de apoio ao cliente. Em 2024, o grupo britânico Arup perdeu 200 milhões de dólares de Hong Kong, cerca de 25 milhões de dólares norte-americanos, após uma fraude com deepfakes de executivos.
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IA nos seguros pode gerar perdas sistémicas
O relatório estima que um grande desastre ligado à IA poderá causar cerca de 100 mil milhões de dólares em danos directos. Contudo, o impacto económico poderá atingir biliões se as seguradoras retirarem coberturas, as empresas travarem a adopção da tecnologia e os investidores abandonarem o sector.
Kevin Kalinich, da Aon, alerta ainda para perdas “agregadas, sistémicas e correlacionadas”. Esse cenário poderá ocorrer se um modelo defeituoso ou um ataque coordenado atingir muitas empresas ao mesmo tempo.
Relatório defende coberturas próprias para IA
Em vez de excluir estes riscos, os autores defendem seguros específicos para sistemas autónomos. Também recomendam novas regras de subscrição e auditorias técnicas mais rápidas.
Para Rajiv Dattani, co-fundador da AIUC, as empresas só adoptarão IA em maior escala quando conseguirem quantificar e gerir o risco. Assim, a IA nos seguros tornou-se um tema central para seguradoras, corretores e empresas tecnológicas.

